quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DOR CIÁTICA

O que é Ciática?

Sinônimos: Dor no ciático, dor no nervo ciático

Ciática significa dor, fraqueza, dormência ou formigamento da perna. É causada por lesão ou pressão no nervo ciático. A ciática é um sintoma de outro problema médico, e não de uma doença em si.

Causas

A ciática ocorre quando há pressão do nervo isquiático ou dano a ele. O nervo começa na espinha inferior e desce pela parte posterior de cada perna. Esse nervo controla os músculos da parte posterior do joelho e da parte inferior da perna e dá sensibilidade à parte posterior da coxa, uma porção da perna e à sola do pé.

As causas comuns da ciática são:
·         Deslocamento de disco

·         Síndrome piriforme (um distúrbio da dor envolvendo o músculo piriforme nas nádegas)

·         Lesão ou fratura pélvica

·         Tumores

Exames

O médico realizará um exame físico. Isso pode mostrar:

·         Fraqueza ao dobrar o joelho ou ao movimentar os pés

·         Dificuldade de dobrar o pé para dentro ou para baixo

·         Reflexos anormais ou ausentes

·         Dor ao levantar a perna esticada para fora da maca

Os exames determinam as causas suspeitas. Normalmente, eles não são necessários a menos que a dor seja grave e dure por muito tempo. Eles podem incluir:

·         Exames de sangue

·         Raios X

·         Ressonâncias magnéticas ou outros exames de imagem

Sintomas de Ciática

A dor de ciática pode variar muito. Pode ser formigamento suave, dor surda ou sensação de queimação. Em alguns casos, a dor é tão forte que a pessoa não consegue se mexer.



Esquema mostra os locais que apresentam dor de ciática

A dor ocorre mais frequentemente de um só lado. Algumas pessoas sentem uma dor aguda em uma parte da perna ou do quadril e dormência em outras partes. A dor ou dormência também podem estar presentes na parte posterior da panturrilha ou na planta do pé. A perna afetada pode parecer mais fraca.

A dor em geral começa gradualmente. A dor de ciática pode piorar:

·         Depois de ficar em pé ou sentar

·         Durante a noite

·         Ao espirrar, tossir ou rir

·         Ao se dobrar para trás ou andar mais do que alguns metros, principalmente se for causada por estenose espinhal

Tratamento de Ciática

Como a ciática é um sintoma de outra doença, a causa subjacente deve ser identificada e tratada.

Saiba mais

·         Tire 12 dúvidas sobre dor no ciático

Em alguns casos, não é necessário tratamento, e a recuperação acontece espontaneamente.

O tratamento conservador é o melhor em muitos casos. Seu médico pode recomendar os seguintes passos para acalmar os sintomas e reduzir a inflamação.

·         Aplique calor ou gelo na área dolorida. Experimente gelo nas primeiras 48 a 72 horas, depois utilize calor.

·         Tome analgésicos de venda livre como ibuprofeno ou acetaminofeno Repouso não é recomendado. Reduza a atividade nos primeiros dias. Depois, retome lentamente suas atividades regulares. Evite levantar muito peso ou torcer as costas nas primeiras seis semanas após a dor ter iniciado. Após 2 a 3 semanas, você deve voltar a se exercitar. Isso deve incluir exercícios para fortalecer seu abdômen e melhorar a flexibilidade da sua coluna.

Consulte: Cuidando de suas costas em casa
Se as medidas caseiras não ajudarem, seu médico pode recomendar injeções para reduzir a inflamação ao redor do nervo. Outros medicamentos podem ser receitados para ajudar a reduzir as dores agudas associadas com a ciática.

Os exercícios fisioterápicos também podem ser recomendados. Os tratamentos adicionais dependem da doença que esteja provocando a ciática.

A dor nervosa é difícil de tratar. Se, atualmente, você tiver problemas com a dor, pode considerar uma consulta com um neurologista ou um especialista em dor para garantir que você tenha as mais amplas opções de tratamento.

Expectativas

Frequentemente, a ciática desaparece por conta própria. Entretanto, é comum que ela retorne.

Complicações possíveis

Complicações mais graves dependem da causa da ciática. Consulte:

·         Discos deslocados

·         Estenose espinhal

Prevenção

A prevenção varia de acordo com a causa do dano nervoso. Evite sentar ou deitar pressionando as nádegas por um longo tempo.

Osteoartrose

A Osteoartrose (OA) é a mais comum das afecções reumáticas pois, atinge aproximadamente um quinto da população mundial, sendo considerada uma das mais freqüentes causas de incapacidade laborativa, após os 50 anos.

A osteoartrose pode ser definida como uma síndrome clínica que representa a via final comum das alterações bioquímicas, metabólicas e fisiológicas que ocorrem, de forma simultânea, na cartilagem hialina e no osso sub condral, comprometendo a articulação como um todo, isto é, a cápsula articular, a membrana sinovial, os ligamentos e a musculatura peri articular.

Compreende uma variedade de sub grupos com fatores etiológicos distintos tendo, como substrato patológico, a diminuição do espaço articular devido a perda cartilaginosa e formação osteofitária. É considerada uma doença degradativa da cartilagem hialina.

Aspectos epidemiológicos – A doença é de caráter crônico, de evolução lenta e sem comprometimento sistêmico de outros órgãos, afetando as articulações periféricas e axiais, mais freqüentemente as que suportam peso. Na grande maioria dos indivíduos se desenvolve de maneira silenciosa.
Habitualmente, atinge uma ou mais articulações de forma auto limitada embora, em alguns casos, se apresente de forma generalizada. Tem caráter universal, com algumas diferenças inter raciais, conforme a articulação acometida.
Incide, predominantemente, no sexo feminino, na idade adulta entre a 4ª e 5ª décadas e no período da menopausa, sendo que esta incidência aumenta com a idade.

O uso de condroprotetores no tratamento da osteoartrose

A osteoartrose, doença que em virtude do envelhecimento populacional e das sobrecargas do esporte é cada vez mais prevalente na população mundial, tem sido alvo de estudos freqüentes em virtude do seu potencial em causar incapacidade, quando da sua evolução.

A indústria farmacêutica tem se esforçado em pesquisar novos fármacos que possam atuar bloqueando ou, mudando o curso da doença.

Atualmente, já estão disponíveis no mercado inúmeras substâncias que se propõem a exercer este efeito sendo estas denominadas substâncias CONDROPROTETORAS.

Dentre todas as substâncias propagadas pela mídia e pela indústria farmacêutica, são incluídas nesta categoria o Sulfato de Glicosamina e o “Sulfato de Condroitina”, que são as mais comercializadas. Ambas as substâncias são Carbohidratos (açucares), produtos estes que podem ser considerados naturais; daí a sua inclusão pelas normas do FDA, (órgão que fiscaliza medicamentos e suplementos alimentares nos Estados Unidos) como Nutracells.

Enquanto o Sulfato de Glicosamina é um monossacarídeo absorvido pelo organismo na sua quase totalidade, (cerca de 90%, quando ingerido em uma forma galênica apropriada), o Sulfato de Condroitina é um polissacarídeo de cadeia longa que, para ser absorvido pelo organismo deve ser quebrado em unidades menores.

Para o composto, Sulfato de Condroitina, inúmeros trabalhos da literatura apontam uma absorção máxima para humanos, em cerca de apenas 15% da dose administrada por via oral, uma vez que sua quebra só inicia-se na porção final do duodeno. São as Bactérias Intestinais, presentes nesta porção do intestino, as responsáveis por este processo de quebra destes açúcares de cadeia longa em unidades menores, o que permite, segundo a literatura científica, a absorção desta substância.


Os traumatismos no esporte como causa de Osteoartrose precoce

Já foi visto e explicado nos temas anteriores que a cartilagem articular é um sistema hidráulico desenvolvido para funcionar como um amortecedor de choques. O arranjo arquitetônico formado tanto pelas fibras colágenas quanto pelos mucopolisacarídeos sulfatados, permite que este sistema funcione, preferencialmente, e com mais efetividade, para determinados eixos de carga.
No caso específico do joelho (sistema que abordaremos), a cartilagem articular funciona, preferencialmente, para diminuir as sobrecargas de compressão. As superfícies articulares tanto do fêmur, quanto da tíbia e da patela, são formadas por cartilagem articular sendo que, a estabilidade passiva desta articulação é decorrente dos ligamentos colaterais, ligamentos cruzados e meniscos.
Por vezes, em esportes de contato como o futebol e outros, forças laterais, oblíquas e antero posteriores são aplicadas em intensidades crescentes e variáveis.
Os ligamentos cruzados anteriores e posteriores funcionam como presilhas para forças aplicadas no sentido anterior e posterior, dificultando e, por vezes, impedindo deslocamentos bruscos. Eles também previnem os movimentos de hiperextensão e hiperflexão O mesmo acontece para os ligamentos colaterais, neste caso específico, atuando como estabilizadores nos sentidos laterais interno e externo.
As demais estruturas existentes no joelho, tais como os meniscos interno e externo (que são estruturas de forma semilunar), assim como as cartilagens articulares e a cápsula articular, também participam ativamente na biomecânica desta importante articulação de movimentação, funcionando como reguladores de superfícies, amortecedores de carga e lubrificador articular, visto que, a cápsula articular é o envoltório do joelho e restringe o líquido sinovial fabricado pela membrana sinovial.
Quando forças superiores ao ponto de resistência deste conjunto são aplicadas sobre os joelhos, como ocorre nas colisões em esportes de contato tais como, travadas em partidas de futebol, entradas laterais, carrinhos etc. ou mesmo, em torções em pisos irregulares, podem acontecer lesões nestes ligamentos, que são definidas como entorse (perda parcial da área de contato articular) e, em casos mais graves, luxações (perda total da área de contato articular).
Via de regra, quanto mais forte for o esforço aplicado e mais complexo e combinados forem os eixos das forças atuantes, maior será o estrago causado, e mais complexo será o tipo de lesão.
No caso específico do futebol, os mecanismos de lesão mais comuns são:

  1. Impacto que atinge o joelho pela parte lateral ou contra golpe no pé pelo lado medial (interno). Ocorrendo tal lesão quando de disputas de bolas em prensadas, ou travadas por carrinho.
  2. Impacto que atinge o joelho pela parte medial ou contra golpe no pé da região lateral. Ocorrendo tal lesão em soladas ou entradas por carrinho lateral.
  3. Impacto de torção, sem contato corporal, por aprisionamento do pé ou pisão sobre a bola.
Sempre que estivermos diante destas patologias, que causam lesões ligamentares e lesões meniscais, devemos ter em mente que a cartilagem articular também sofreu este choque e, com certeza, ocorreu um maior ou menor comprometimento cartilaginoso que, por vezes, é difícil de diagnosticar. Nestes casos, ocorre uma destruição de fibras colágenas e a desestruturação dos muco polisacarídeos sulfatados. Uma lesão da cartilagem articular ou dos meniscos implicará em um defeito da superfície articular e, como conseqüência, uma osteoartrose precoce.
Quando de lesões completas que impliquem am comprometimento de ligamentos cruzados e colaterais, estaremos diante de uma instabilidade completa quando da flexão.
Uma medida de prevenção cada vez mais em voga e considerada de ponta é, além dos cuidados gerais de imobilização precoce e de reconstrução ligamentar, como nos casos das lesões de cruzados (sendo estas medidas da traumatologia de urgência), a associação de analgésicos, antiinflamatórios e substâncias condroprotetoras, com a finalidade, não só de uma analgesia, mas também, de uma estimulação condrocitária e da agregação de sulfato de glicosamina para melhorar o caráter hidráulico desta articulação.
Quanto mais precoces os cuidados médicos adotados, bem como a utilização das medicações indicadas, menor tornar-se-á o risco futuro do desenvolvimento de uma osteoartrose precoce.

Artrose

A artrose (artrite degenerativa, doença degenerativa das articulações) é uma pertubação crónica das articulações caracterizada pela degenerescência da cartilagem e do osso adjacente, que pode causar dor articular e rigidez.
A artrose, a perturbação articular mais frequente, afeta em algum grau muitas pessoas por volta dos 70 anos de idade, tanto homens como mulheres. Contudo, a doença tende a desenvolver-se nos homens numa idade mais precoce.
A artrose também pode aparecer em quase todos os vertebrados, inclusive peixes, anfíbios e aves. Os animais aquáticos como os golfinhos e as baleias podem sofrer de artrose, contudo, esta não afeta nenhum dos tipos de animais que permanecem pendurados com a cabeça para baixo, os morcegos e as preguiças. A doença está tão amplamente difundida no reino animal que alguns médicos pensam que pode ter evoluído a partir de um antigo método de reparação da cartilagem.
Persistem ainda muitos mitos sobre a artrose, por exemplo que é um traço inevitável de envelhecimento, como os cabelos grisalhos e as alterações na pele; que conduz a incapacidades mínimas e que o seu tratamento não é eficaz. Embora a artrose seja mais frequente em pessoas de idade, a sua causa não é a simples deterioração que implica o envelhecimento.
A maioria dos afetados por esta doença, especialmente os mais jovens, apresentam poucos sintomas ou nenhum; contudo, algumas pessoas adultas desenvolvem incapacidades significativas.

Artrose da coluna vertebral

Os círculos indicam as articulações mais frequentemente afetadas pela artrose a nível da coluna vertebral (cervical e lombar), das mãos, dos pés, das ancas e dos joelhos.




Causas

As articulações têm um nível tão pequeno de fricção que não se desgastam, salvo se forem excessivamente utilizadas ou danificadas.
É provável que a artrose se inicie com uma anomalia das células que sintetizam os componentes da cartilagem, como o colagénio (uma proteína resistente e fibrosa do tecido conjuntivo) e os proteoglicanos (substâncias que dão elasticidade à cartilagem).
A cartilagem pode crescer demasiado, mas finalmente torna-se mais fina e surgem gretas na sua superfície. Formam-se cavidades diminutas que enfraquecem a medula do osso, debaixo da cartilagem. Pode haver um crescimento excessivo do osso nos bordos da articulação, formando tumefações (osteófitos) que podem ver-se e sentir-se ao tato. Estas tumefações podem interferir no funcionamento normal da articulação e causar dor.
Por fim, a superfície lisa e regular da cartilagem torna-se áspera e esburacada, impedindo que a articulação se possa mover com facilidade. Produz-se uma alteração da articulação pela deterioração de todos os seus componentes, quer dizer, o osso, a cápsula articular (tecidos que envolvem algumas articulações), a membrana sinovial (tecido que reveste a articulação), os tendões e a cartilagem.
Existem duas classificações da artrose:
Primária (idiopática), quando a causa é desconhecida, e
Secundária, quando a causa é outra doença, como a de Paget, uma infecção, uma deformidade, uma ferida ou o uso excessivo da articulação.
São especialmente vulneráveis os indivíduos que forçam as suas articulações de forma reiterada, como os operários de uma fundição ou de uma mina de carvão e os condutores de autocarros. Contudo, os corredores profissionais de maratona não têm um maior risco de desenvolvimento desta perturbação. Embora não exista uma evidência concludente a esse respeito, é possível que a obesidade seja um fator importante no desenvolvimento da artrose.

Sintomas

Ao chegar aos 40 anos de idade, muitas pessoas manifestam sinais de artrose nas radiografias, especialmente nas articulações que sustentam o peso (como a anca), mas relativamente poucas apresentam sintomas.
Em geral, os sintomas desenvolvem-se gradualmente e afetam inicialmente uma ou várias articulações (as dos dedos, a base dos polegares, o pescoço, a zona lombar, o dedo grande do pé, a anca e os joelhos). A dor é o primeiro sintoma, que aumenta em geral com a prática de exercício. Em alguns casos, a articulação pode estar rígida depois de dormir ou de qualquer outra forma de inatividade; contudo, a rigidez costuma desaparecer 30 minutos depois de se iniciar o movimento da articulação.
A articulação pode perder mobilidade e inclusive ficar completamente rígida numa posição incorreta à medida que piora a lesão provocada pela artrose. O novo crescimento da cartilagem, do osso e outros tecidos pode aumentar o tamanho das articulações. A cartilagem áspera faz com que as articulações ranjam ou crepitem ao mover-se. As protuberâncias ósseas desenvolvem-se com frequência nas articulações das pontas dos dedos (nódulos de Heberden).
Em alguns sítios (como o joelho), os ligamentos que rodeiam e sustentam a articulação distendem-se de tal maneira que esta se torna instável. Tocar ou mover a articulação pode ser muito doloroso.
Em contraste, a anca torna-se rígida, perde o seu raio de ação e provoca dor ao mover-se.
A artrose afeta com frequência a coluna vertebral. A dor de costas é o sintoma mais frequente. As articulações lesadas da coluna costumam causar apenas dores leves e rigidez.
Contudo, se o crescimento ósseo comprime os nervos, a artrose do pescoço ou da zona lombar pode causar entorpecimento, sensações estranhas, dor e fraqueza num braço ou numa perna.
Em raras ocasiões, a compressão dos vasos sanguíneos que chegam à parte posterior do cérebro origina problemas de visão, sensação de enjoo (vertigem), náuseas e vómitos. Por vezes o crescimento do osso comprime o esófago, dificultando a deglutição.
A artrose segue um desenvolvimento lento na maioria dos casos depois do aparecimento dos sintomas. Muitas pessoas apresentam alguma forma de incapacidade, mas, em certas ocasiões, a degenerescência articular detém-se.

Tratamento

Tanto os exercícios de estiramento como os de fortalecimento e de postura são adequados para manter as cartilagens em bom estado, aumentar a mobilidade de uma articulação e reforçar os músculos circundantes de maneira que possam amortecer melhor os impactos. O exercício deve ser compensado com o repouso das articulações dolorosas; contudo, a imobilização de uma articulação tende mais a agravar a artrose do que a melhorá-la.
Os sintomas pioram com o uso de cadeiras, reclinadores, colchões e assentos de automóvel demasiado moles. Recomenda-se o uso de cadeiras com costas direitas, colchões duros ou estrados de madeira por baixo do colchão. Os exercícios específicos para a artrose da coluna vertebral podem ser úteis; contudo, são necessários suportes ortopédicos para as costas em caso de problemas graves. É importante manter as atividades diárias habituais, desempenhar um papel ativo e independente dentro da família e continuar a trabalhar.
Também são úteis a fisioterapia e o tratamento com calor local. Para aliviar a dor dos dedos é recomendável, por exemplo, aquecer cera de parafina misturada com óleo mineral a uma temperatura de 48ÞC a 51ÞC, para depois molhar os dedos, ou tomar banhos mornos ou quentes. As talas ou suportes podem proteger articulações específicas durante atividades que gerem dor.
Quando a artrose afeta o pescoço, podem ser úteis as massagens realizadas por terapeutas profissionais, a tração e a aplicação de calor intenso com diatermia ou ultra-sons.
Os medicamentos são o aspecto menos importante do programa global de tratamento. Um analgésio como o paracetamol (acetaminofeno) pode ser suficiente. Um anti-inflamatório não esteróide como a aspirina ou o ibuprofeno pode diminuir a dor e a inflamação. Se uma articulação se inflama, incha e provoca dor repentinamente, os corticosteróides podem ser diretamente injetados nela, embora isto só possa proporcionar alívio a curto prazo.
A cirurgia pode ser útil quando a dor persiste apesar dos outros tratamentos.
Algumas articulações, sobretudo a anca e o joelho, podem ser substituídas por uma artificial (prótese) que, em geral, dá bons resultados: melhora a mobilidade e o funcionamento na maioria dos casos e diminui a dor de forma notória. Portanto, quando o movimento se vê limitado, pode considerar-se a possibilidade de uma prótese da articulação.

Doença de Ollier

A doença de Ollier ou encondromatose múltipla é um defeito não hereditário, caracterizado pela presença de massas circunscritas de cartilagem, dispostas de forma linear no interior dos ossos. O epônimo "Doença de Ollier" é utilizado para uma condição na qual a distribuição dos encondromas é predominantemente unilateral. Trata-se na verdade de uma discondroplasia, mais do que umaneoplasia verdadeira.(46).
A associação de múltiplos encondromas com múltiplos hemangiomas da pele é conhecida por "Síndrome de Maffucci" (67). Há ainda uma maior associação com gliomas intracraniais.

ASPECTOS CLÍNICOS

Os ossos afetados costumam ser arqueados e encurtados, com alargamento das regiões metafisárias. Os ossos mais afetados são o fêmur e a tíbia (Fig. 48).
48 A
Figura 48 A
48. Radiografia mostrando o aspecto das múltiplas lesões
da enfermidade de Ollier. Note a deformidade do úmero (A)
e do fêmur, da tíbia e da fíbula (B), além das lesões
encondromatosas múltiplas.
48 B
Figura 48 B
Os sinais de encondromatose manifestam-se desde cedo na infância. O acometimento dos ossos dos membros inferiores pode ocasionar um joelho varo de muitos graus. O acometimento leva a um encurvamento dos ossos longos, com ápice da curva na região metafisária. Quando as mãos são afetadas, o progressivo aumento de volume dos dedos pode ser a primeira queixa. Os dedos costumam se apresentar de forma grotesca e com uso funcional prejudicado (Fig. 49).
Figura 49
49. Radiografia da mão de um paciente portador
da enfermidade de Ollier. Note o comprometimento
de praticamente todas as falanges. Note também
o grande condroma invadindo os tecidos moles na
falange média do III quirodáctilo
TRATAMENTO

O tratamento envolve processos como curetagem e enxertia das lesões que estejam causando deformidade importante, principalmente nos membros inferiores. As osteotomias da extremidade proximal da tíbia ou distal do fêmur são muitas vezes necessárias para corrigir as deformidades. Em geral evoluem para consolidação. Muitas vezes são utilizadas as técnicas de alongamento, juntamente com a correção do alinhamento, principalmente nos membros inferiores. Atualmente, com a utilização dos fixadores externos, abre-se uma nova perspectiva no tratamento dessas lesões múltiplas. Não indicamos a epifisiodese do membro contralateral na tentativa de equalização, por acharmos que essa técnica pode acentuar a baixa estatura que é comum nesses pacientes, além de ser técnica de resultados controvertidos.
A transformação sarcomatosa pode se desenvolver na vida adulta. Na Mayo Clinic, entre 1907 e 1985, houve 16 transformações em 55 pacientes, o que fala a favor de 30% de chance de malignização (56). O crescimento localizado e a dor são evidências prováveis de malignização. Em tais circunstâncias a biópsia com a finalidade de detectar precocemente a malignização é indicada (84). Há também relatos de múltiplas transformações em um mesmo paciente (58). A síndrome de Maffucci costuma estar associada a maior taxa de transformação maligna, incluindo o aparecimento de gliomas intracraniano.