O que é Ciática?
Sinônimos: Dor no ciático, dor no nervo ciático
Ciática significa dor, fraqueza, dormência ou formigamento da perna. É causada por lesão ou pressão no nervo ciático. A ciática é um sintoma de outro problema médico, e não de uma doença em si.
Causas
A ciática ocorre quando há pressão do nervo isquiático ou dano a ele. O nervo começa na espinha inferior e desce pela parte posterior de cada perna. Esse nervo controla os músculos da parte posterior do joelho e da parte inferior da perna e dá sensibilidade à parte posterior da coxa, uma porção da perna e à sola do pé.
As causas comuns da ciática são:
· Deslocamento de disco
· Síndrome piriforme (um distúrbio da dor envolvendo o músculo piriforme nas nádegas)
· Lesão ou fratura pélvica
· Tumores
Exames
O médico realizará um exame físico. Isso pode mostrar:
· Fraqueza ao dobrar o joelho ou ao movimentar os pés
· Dificuldade de dobrar o pé para dentro ou para baixo
· Reflexos anormais ou ausentes
· Dor ao levantar a perna esticada para fora da maca
Os exames determinam as causas suspeitas. Normalmente, eles não são necessários a menos que a dor seja grave e dure por muito tempo. Eles podem incluir:
· Exames de sangue
· Raios X
· Ressonâncias magnéticas ou outros exames de imagem
Sintomas de Ciática
A dor de ciática pode variar muito. Pode ser formigamento suave, dor surda ou sensação de queimação. Em alguns casos, a dor é tão forte que a pessoa não consegue se mexer.
Esquema mostra os locais que apresentam dor de ciática
A dor ocorre mais frequentemente de um só lado. Algumas pessoas sentem uma dor aguda em uma parte da perna ou do quadril e dormência em outras partes. A dor ou dormência também podem estar presentes na parte posterior da panturrilha ou na planta do pé. A perna afetada pode parecer mais fraca.
A dor em geral começa gradualmente. A dor de ciática pode piorar:
· Depois de ficar em pé ou sentar
· Durante a noite
· Ao espirrar, tossir ou rir
· Ao se dobrar para trás ou andar mais do que alguns metros, principalmente se for causada por estenose espinhal
Tratamento de Ciática
Como a ciática é um sintoma de outra doença, a causa subjacente deve ser identificada e tratada.
Saiba mais
· Tire 12 dúvidas sobre dor no ciático
Em alguns casos, não é necessário tratamento, e a recuperação acontece espontaneamente.
O tratamento conservador é o melhor em muitos casos. Seu médico pode recomendar os seguintes passos para acalmar os sintomas e reduzir a inflamação.
· Aplique calor ou gelo na área dolorida. Experimente gelo nas primeiras 48 a 72 horas, depois utilize calor.
· Tome analgésicos de venda livre como ibuprofeno ou acetaminofeno Repouso não é recomendado. Reduza a atividade nos primeiros dias. Depois, retome lentamente suas atividades regulares. Evite levantar muito peso ou torcer as costas nas primeiras seis semanas após a dor ter iniciado. Após 2 a 3 semanas, você deve voltar a se exercitar. Isso deve incluir exercícios para fortalecer seu abdômen e melhorar a flexibilidade da sua coluna.
Consulte: Cuidando de suas costas em casa
Se as medidas caseiras não ajudarem, seu médico pode recomendar injeções para reduzir a inflamação ao redor do nervo. Outros medicamentos podem ser receitados para ajudar a reduzir as dores agudas associadas com a ciática.
Os exercícios fisioterápicos também podem ser recomendados. Os tratamentos adicionais dependem da doença que esteja provocando a ciática.
A dor nervosa é difícil de tratar. Se, atualmente, você tiver problemas com a dor, pode considerar uma consulta com um neurologista ou um especialista em dor para garantir que você tenha as mais amplas opções de tratamento.
Expectativas
Frequentemente, a ciática desaparece por conta própria. Entretanto, é comum que ela retorne.
Complicações possíveis
Complicações mais graves dependem da causa da ciática. Consulte:
· Discos deslocados
· Estenose espinhal
Prevenção
A prevenção varia de acordo com a causa do dano nervoso. Evite sentar ou deitar pressionando as nádegas por um longo tempo.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Osteoartrose
A Osteoartrose (OA) é a mais comum das afecções reumáticas pois, atinge aproximadamente um quinto da população mundial, sendo considerada uma das mais freqüentes causas de incapacidade laborativa, após os 50 anos.
A osteoartrose pode ser definida como uma síndrome clínica que representa a via final comum das alterações bioquímicas, metabólicas e fisiológicas que ocorrem, de forma simultânea, na cartilagem hialina e no osso sub condral, comprometendo a articulação como um todo, isto é, a cápsula articular, a membrana sinovial, os ligamentos e a musculatura peri articular.
Compreende uma variedade de sub grupos com fatores etiológicos distintos tendo, como substrato patológico, a diminuição do espaço articular devido a perda cartilaginosa e formação osteofitária. É considerada uma doença degradativa da cartilagem hialina.
A osteoartrose pode ser definida como uma síndrome clínica que representa a via final comum das alterações bioquímicas, metabólicas e fisiológicas que ocorrem, de forma simultânea, na cartilagem hialina e no osso sub condral, comprometendo a articulação como um todo, isto é, a cápsula articular, a membrana sinovial, os ligamentos e a musculatura peri articular.
Compreende uma variedade de sub grupos com fatores etiológicos distintos tendo, como substrato patológico, a diminuição do espaço articular devido a perda cartilaginosa e formação osteofitária. É considerada uma doença degradativa da cartilagem hialina.
Aspectos epidemiológicos – A doença é de caráter crônico, de
evolução lenta e sem comprometimento sistêmico de outros órgãos,
afetando as articulações periféricas e axiais, mais freqüentemente as
que suportam peso. Na grande maioria dos indivíduos se desenvolve de
maneira silenciosa.
Habitualmente, atinge uma ou mais articulações de forma auto limitada
embora, em alguns casos, se apresente de forma generalizada. Tem
caráter universal, com algumas diferenças inter raciais, conforme a
articulação acometida.
Incide, predominantemente, no sexo feminino, na idade adulta entre a
4ª e 5ª décadas e no período da menopausa, sendo que esta incidência
aumenta com a idade.
O uso de condroprotetores no tratamento da osteoartrose
A osteoartrose, doença que em virtude do envelhecimento populacional e das sobrecargas do esporte é cada vez mais prevalente na população mundial, tem sido alvo de estudos freqüentes em virtude do seu potencial em causar incapacidade, quando da sua evolução.
A indústria farmacêutica tem se esforçado em pesquisar novos fármacos que possam atuar bloqueando ou, mudando o curso da doença.
Atualmente, já estão disponíveis no mercado inúmeras substâncias que se propõem a exercer este efeito sendo estas denominadas substâncias CONDROPROTETORAS.
Dentre todas as substâncias propagadas pela mídia e pela indústria farmacêutica, são incluídas nesta categoria o Sulfato de Glicosamina e o “Sulfato de Condroitina”, que são as mais comercializadas. Ambas as substâncias são Carbohidratos (açucares), produtos estes que podem ser considerados naturais; daí a sua inclusão pelas normas do FDA, (órgão que fiscaliza medicamentos e suplementos alimentares nos Estados Unidos) como Nutracells.
Enquanto o Sulfato de Glicosamina é um monossacarídeo absorvido pelo organismo na sua quase totalidade, (cerca de 90%, quando ingerido em uma forma galênica apropriada), o Sulfato de Condroitina é um polissacarídeo de cadeia longa que, para ser absorvido pelo organismo deve ser quebrado em unidades menores.
Para o composto, Sulfato de Condroitina, inúmeros trabalhos da literatura apontam uma absorção máxima para humanos, em cerca de apenas 15% da dose administrada por via oral, uma vez que sua quebra só inicia-se na porção final do duodeno. São as Bactérias Intestinais, presentes nesta porção do intestino, as responsáveis por este processo de quebra destes açúcares de cadeia longa em unidades menores, o que permite, segundo a literatura científica, a absorção desta substância.
A osteoartrose, doença que em virtude do envelhecimento populacional e das sobrecargas do esporte é cada vez mais prevalente na população mundial, tem sido alvo de estudos freqüentes em virtude do seu potencial em causar incapacidade, quando da sua evolução.
A indústria farmacêutica tem se esforçado em pesquisar novos fármacos que possam atuar bloqueando ou, mudando o curso da doença.
Atualmente, já estão disponíveis no mercado inúmeras substâncias que se propõem a exercer este efeito sendo estas denominadas substâncias CONDROPROTETORAS.
Dentre todas as substâncias propagadas pela mídia e pela indústria farmacêutica, são incluídas nesta categoria o Sulfato de Glicosamina e o “Sulfato de Condroitina”, que são as mais comercializadas. Ambas as substâncias são Carbohidratos (açucares), produtos estes que podem ser considerados naturais; daí a sua inclusão pelas normas do FDA, (órgão que fiscaliza medicamentos e suplementos alimentares nos Estados Unidos) como Nutracells.
Enquanto o Sulfato de Glicosamina é um monossacarídeo absorvido pelo organismo na sua quase totalidade, (cerca de 90%, quando ingerido em uma forma galênica apropriada), o Sulfato de Condroitina é um polissacarídeo de cadeia longa que, para ser absorvido pelo organismo deve ser quebrado em unidades menores.
Para o composto, Sulfato de Condroitina, inúmeros trabalhos da literatura apontam uma absorção máxima para humanos, em cerca de apenas 15% da dose administrada por via oral, uma vez que sua quebra só inicia-se na porção final do duodeno. São as Bactérias Intestinais, presentes nesta porção do intestino, as responsáveis por este processo de quebra destes açúcares de cadeia longa em unidades menores, o que permite, segundo a literatura científica, a absorção desta substância.
Os traumatismos no esporte como causa de Osteoartrose precoce
Já foi visto e explicado nos temas anteriores que a cartilagem
articular é um sistema hidráulico desenvolvido para funcionar como um
amortecedor de choques. O arranjo arquitetônico formado tanto pelas
fibras colágenas quanto pelos mucopolisacarídeos sulfatados, permite que
este sistema funcione, preferencialmente, e com mais efetividade, para
determinados eixos de carga.
No caso específico do joelho (sistema que abordaremos), a cartilagem
articular funciona, preferencialmente, para diminuir as sobrecargas de
compressão. As superfícies articulares tanto do fêmur, quanto da tíbia e
da patela, são formadas por cartilagem articular sendo que, a
estabilidade passiva desta articulação é decorrente dos ligamentos
colaterais, ligamentos cruzados e meniscos.
Por vezes, em esportes de contato como o futebol e outros, forças
laterais, oblíquas e antero posteriores são aplicadas em intensidades
crescentes e variáveis.
Os ligamentos cruzados anteriores e posteriores funcionam como
presilhas para forças aplicadas no sentido anterior e posterior,
dificultando e, por vezes, impedindo deslocamentos bruscos. Eles também
previnem os movimentos de hiperextensão e hiperflexão O mesmo acontece
para os ligamentos colaterais, neste caso específico, atuando como
estabilizadores nos sentidos laterais interno e externo.
As demais estruturas existentes no joelho, tais como os meniscos
interno e externo (que são estruturas de forma semilunar), assim como as
cartilagens articulares e a cápsula articular, também participam
ativamente na biomecânica desta importante articulação de movimentação,
funcionando como reguladores de superfícies, amortecedores de carga e
lubrificador articular, visto que, a cápsula articular é o envoltório do
joelho e restringe o líquido sinovial fabricado pela membrana sinovial.
Quando forças superiores ao ponto de resistência deste conjunto são
aplicadas sobre os joelhos, como ocorre nas colisões em esportes de
contato tais como, travadas em partidas de futebol, entradas laterais,
carrinhos etc. ou mesmo, em torções em pisos irregulares, podem
acontecer lesões nestes ligamentos, que são definidas como entorse
(perda parcial da área de contato articular) e, em casos mais graves,
luxações (perda total da área de contato articular).
Via de regra, quanto mais forte for o esforço aplicado e mais
complexo e combinados forem os eixos das forças atuantes, maior será o
estrago causado, e mais complexo será o tipo de lesão.
No caso específico do futebol, os mecanismos de lesão mais comuns são:
- Impacto que atinge o joelho pela parte lateral ou contra golpe no pé pelo lado medial (interno). Ocorrendo tal lesão quando de disputas de bolas em prensadas, ou travadas por carrinho.
- Impacto que atinge o joelho pela parte medial ou contra golpe no pé da região lateral. Ocorrendo tal lesão em soladas ou entradas por carrinho lateral.
- Impacto de torção, sem contato corporal, por aprisionamento do pé ou pisão sobre a bola.
Sempre que estivermos diante destas patologias, que causam lesões ligamentares e lesões meniscais, devemos ter em mente que a cartilagem articular também sofreu este choque
e, com certeza, ocorreu um maior ou menor comprometimento cartilaginoso
que, por vezes, é difícil de diagnosticar. Nestes casos, ocorre uma
destruição de fibras colágenas e a desestruturação dos muco
polisacarídeos sulfatados. Uma lesão da cartilagem articular ou dos
meniscos implicará em um defeito da superfície articular e, como
conseqüência, uma osteoartrose precoce.
Quando de lesões completas que impliquem am comprometimento de
ligamentos cruzados e colaterais, estaremos diante de uma instabilidade
completa quando da flexão.
Uma medida de prevenção cada vez mais em voga e considerada de ponta
é, além dos cuidados gerais de imobilização precoce e de reconstrução
ligamentar, como nos casos das lesões de cruzados (sendo estas medidas
da traumatologia de urgência), a associação de analgésicos,
antiinflamatórios e substâncias condroprotetoras, com a
finalidade, não só de uma analgesia, mas também, de uma estimulação
condrocitária e da agregação de sulfato de glicosamina para melhorar o
caráter hidráulico desta articulação.
Quanto mais precoces os cuidados médicos adotados, bem como a
utilização das medicações indicadas, menor tornar-se-á o risco futuro do
desenvolvimento de uma osteoartrose precoce.
Artrose
A artrose (artrite degenerativa, doença degenerativa das
articulações) é uma pertubação crónica das articulações caracterizada pela
degenerescência da cartilagem e do osso adjacente, que pode causar dor articular
e rigidez.
A artrose, a perturbação articular mais frequente, afeta
em algum grau muitas pessoas por volta dos 70 anos de idade, tanto homens
como mulheres. Contudo, a doença tende a desenvolver-se nos homens numa idade
mais precoce.
A artrose também pode aparecer em quase todos os vertebrados,
inclusive peixes, anfíbios e aves. Os animais aquáticos como os golfinhos
e as baleias podem sofrer de artrose, contudo, esta não afeta nenhum dos tipos
de animais que permanecem pendurados com a cabeça para baixo, os morcegos
e as preguiças. A doença está tão amplamente difundida no reino animal que
alguns médicos pensam que pode ter evoluído a partir de um antigo método de
reparação da cartilagem.
Persistem ainda muitos mitos sobre a artrose, por exemplo
que é um traço inevitável de envelhecimento, como os cabelos grisalhos e as
alterações na pele; que conduz a incapacidades mínimas e que o seu tratamento
não é eficaz. Embora a artrose seja mais frequente em pessoas de idade, a
sua causa não é a simples deterioração que implica o envelhecimento.
A maioria dos afetados por esta doença, especialmente os mais jovens, apresentam
poucos sintomas ou nenhum; contudo, algumas pessoas adultas desenvolvem incapacidades
significativas.
Artrose da coluna vertebral
Os círculos indicam as articulações mais frequentemente afetadas pela artrose
a nível da coluna vertebral (cervical e lombar), das mãos, dos pés, das ancas
e dos joelhos.
Causas
As articulações têm um nível tão pequeno de fricção que não se desgastam,
salvo se forem excessivamente utilizadas ou danificadas.
É provável que a artrose se inicie com uma anomalia das
células que sintetizam os componentes da cartilagem, como o colagénio (uma
proteína resistente e fibrosa do tecido conjuntivo) e os proteoglicanos (substâncias
que dão elasticidade à cartilagem).
A cartilagem pode crescer demasiado, mas finalmente torna-se mais fina e
surgem gretas na sua superfície. Formam-se cavidades diminutas que enfraquecem
a medula do osso, debaixo da cartilagem. Pode haver um crescimento excessivo
do osso nos bordos da articulação, formando tumefações (osteófitos) que podem
ver-se e sentir-se ao tato. Estas tumefações podem interferir no funcionamento
normal da articulação e causar dor.
Por fim, a superfície lisa e regular da cartilagem torna-se áspera e esburacada,
impedindo que a articulação se possa mover com facilidade. Produz-se uma alteração
da articulação pela deterioração de todos os seus componentes, quer dizer,
o osso, a cápsula articular (tecidos que envolvem algumas articulações), a
membrana sinovial (tecido que reveste a articulação), os tendões e a cartilagem.
Existem duas classificações da artrose:
Primária (idiopática), quando a causa é desconhecida, e
Secundária, quando a causa é outra doença, como a de Paget, uma infecção, uma deformidade, uma ferida ou o uso excessivo da articulação.
São especialmente vulneráveis os indivíduos que forçam as suas articulações
de forma reiterada, como os operários de uma fundição ou de uma mina de carvão
e os condutores de autocarros. Contudo, os corredores profissionais de maratona
não têm um maior risco de desenvolvimento desta perturbação. Embora não exista
uma evidência concludente a esse respeito, é possível que a obesidade seja
um fator importante no desenvolvimento da artrose.
Sintomas
Ao chegar aos 40 anos de idade, muitas pessoas manifestam sinais de artrose
nas radiografias, especialmente nas articulações que sustentam o peso (como
a anca), mas relativamente poucas apresentam sintomas.
Em geral, os sintomas desenvolvem-se gradualmente e afetam inicialmente uma
ou várias articulações (as dos dedos, a base dos polegares, o pescoço, a zona
lombar, o dedo grande do pé, a anca e os joelhos). A dor é o primeiro sintoma,
que aumenta em geral com a prática de exercício. Em alguns casos, a articulação
pode estar rígida depois de dormir ou de qualquer outra forma de inatividade;
contudo, a rigidez costuma desaparecer 30 minutos depois de se iniciar o movimento
da articulação.
A articulação pode perder mobilidade e inclusive ficar completamente rígida
numa posição incorreta à medida que piora a lesão provocada pela artrose.
O novo crescimento da cartilagem, do osso e outros tecidos pode aumentar o
tamanho das articulações. A cartilagem áspera faz com que as articulações
ranjam ou crepitem ao mover-se. As protuberâncias ósseas desenvolvem-se com
frequência nas articulações das pontas dos dedos (nódulos de Heberden).
Em alguns sítios (como o joelho), os ligamentos que rodeiam e sustentam a
articulação distendem-se de tal maneira que esta se torna instável. Tocar
ou mover a articulação pode ser muito doloroso.
Em contraste, a anca torna-se rígida, perde o seu raio de ação e provoca
dor ao mover-se.
A artrose afeta com frequência a coluna vertebral. A dor
de costas é o sintoma mais frequente. As articulações lesadas da coluna costumam
causar apenas dores leves e rigidez.
Contudo, se o crescimento ósseo comprime os nervos, a artrose
do pescoço ou da zona lombar pode causar entorpecimento, sensações estranhas,
dor e fraqueza num braço ou numa perna.
Em raras ocasiões, a compressão dos vasos sanguíneos que chegam à parte posterior
do cérebro origina problemas de visão, sensação de enjoo (vertigem), náuseas
e vómitos. Por vezes o crescimento do osso comprime o esófago, dificultando
a deglutição.
A artrose segue um desenvolvimento lento na maioria dos
casos depois do aparecimento dos sintomas. Muitas pessoas apresentam alguma
forma de incapacidade, mas, em certas ocasiões, a degenerescência articular
detém-se.
Tratamento
Tanto os exercícios de estiramento como os de fortalecimento e de postura
são adequados para manter as cartilagens em bom estado, aumentar a mobilidade
de uma articulação e reforçar os músculos circundantes de maneira que possam
amortecer melhor os impactos. O exercício deve ser compensado com o repouso
das articulações dolorosas; contudo, a imobilização de uma articulação tende
mais a agravar a artrose do que a melhorá-la.
Os sintomas pioram com o uso de cadeiras, reclinadores, colchões e assentos
de automóvel demasiado moles. Recomenda-se o uso de cadeiras com costas direitas,
colchões duros ou estrados de madeira por baixo do colchão. Os exercícios
específicos para a artrose da coluna vertebral podem ser
úteis; contudo, são necessários suportes ortopédicos para as costas em caso
de problemas graves. É importante manter as atividades diárias habituais,
desempenhar um papel ativo e independente dentro da família e continuar a
trabalhar.
Também são úteis a fisioterapia e o tratamento com calor local. Para aliviar
a dor dos dedos é recomendável, por exemplo, aquecer cera de parafina misturada
com óleo mineral a uma temperatura de 48ÞC a 51ÞC, para depois molhar os dedos,
ou tomar banhos mornos ou quentes. As talas ou suportes podem proteger articulações
específicas durante atividades que gerem dor.
Quando a artrose afeta o pescoço, podem ser úteis as massagens
realizadas por terapeutas profissionais, a tração e a aplicação de calor intenso
com diatermia ou ultra-sons.
Os medicamentos são o aspecto menos importante do programa global de tratamento.
Um analgésio como o paracetamol (acetaminofeno) pode ser suficiente. Um anti-inflamatório
não esteróide como a aspirina ou o ibuprofeno pode diminuir a dor e a inflamação.
Se uma articulação se inflama, incha e provoca dor repentinamente, os corticosteróides
podem ser diretamente injetados nela, embora isto só possa proporcionar alívio
a curto prazo.
A cirurgia pode ser útil quando a dor persiste apesar dos outros tratamentos.
Algumas articulações, sobretudo a anca e o joelho, podem ser substituídas
por uma artificial (prótese) que, em geral, dá bons resultados: melhora
a mobilidade e o funcionamento na maioria dos casos e diminui a dor de forma
notória. Portanto, quando o movimento se vê limitado, pode considerar-se a
possibilidade de uma prótese da articulação.
Doença de Ollier
A doença de Ollier ou
encondromatose múltipla é um defeito não hereditário,
caracterizado pela presença de massas circunscritas de cartilagem, dispostas
de forma linear no interior dos ossos. O epônimo "Doença de
Ollier" é utilizado para uma condição na qual a distribuição
dos encondromas é predominantemente unilateral. Trata-se na verdade de
uma discondroplasia, mais do que umaneoplasia verdadeira.(46).
A associação de
múltiplos encondromas com múltiplos hemangiomas da pele é
conhecida por "Síndrome de Maffucci" (67). Há ainda
uma maior associação com gliomas intracraniais.
Os ossos afetados costumam ser
arqueados e encurtados, com alargamento das regiões metafisárias.
Os ossos mais afetados são o fêmur e a tíbia (Fig. 48).
48
A
48. Radiografia mostrando
o aspecto das múltiplas lesões
da enfermidade de Ollier. Note a deformidade do úmero (A) e do fêmur, da tíbia e da fíbula (B), além das lesões encondromatosas múltiplas. |
48
B
|
Os sinais de encondromatose manifestam-se
desde cedo na infância. O acometimento dos ossos dos membros inferiores
pode ocasionar um joelho varo de muitos graus. O acometimento leva a um encurvamento
dos ossos longos, com ápice da curva na região metafisária.
Quando as mãos são afetadas, o progressivo aumento de volume dos
dedos pode ser a primeira queixa. Os dedos costumam se apresentar de forma grotesca
e com uso funcional prejudicado (Fig. 49).
49. Radiografia da mão de um
paciente portador
da enfermidade de Ollier. Note o comprometimento
de
praticamente todas as falanges. Note também
o grande condroma invadindo
os tecidos moles na
falange média do III quirodáctilo
O tratamento envolve processos
como curetagem e enxertia das lesões que estejam causando deformidade
importante, principalmente nos membros inferiores. As osteotomias da extremidade
proximal da tíbia ou distal do fêmur são muitas vezes necessárias
para corrigir as deformidades. Em geral evoluem para consolidação.
Muitas vezes são utilizadas as técnicas de alongamento, juntamente
com a correção do alinhamento, principalmente nos membros inferiores.
Atualmente, com a utilização dos fixadores externos, abre-se uma
nova perspectiva no tratamento dessas lesões múltiplas. Não
indicamos a epifisiodese do membro contralateral na tentativa de equalização,
por acharmos que essa técnica pode acentuar a baixa estatura que é
comum nesses pacientes, além de ser técnica de resultados controvertidos.
A transformação
sarcomatosa pode se desenvolver na vida adulta. Na Mayo Clinic, entre 1907 e
1985, houve 16 transformações em 55 pacientes, o que fala a favor
de 30% de chance de malignização (56). O crescimento localizado
e a dor são evidências prováveis de malignização.
Em tais circunstâncias a biópsia com a finalidade de detectar precocemente
a malignização é indicada (84). Há também
relatos de múltiplas transformações em um mesmo paciente
(58). A síndrome de Maffucci
costuma estar associada a maior taxa de transformação maligna,
incluindo o aparecimento de gliomas intracraniano.
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